Friday, August 5, 2011

Parabéns reformandos!


Uma cena interessante enquanto dirigia pra casa sábado a noite depois do trabalho: limusines por toda parte carregadas de formandos, graduandos da High School. Big deal!, como eles dizem aqui. O ginásio, como se chamava na minha época, também esta se formando, mas parece que os monstrinhos narigudos não compartilham do mesmo glamour.

Ah ensino fundamental, que pesadelo você foi. Um peito maior que o outro, dois braços perdidos no espaço, amigos que se tornavam inimigos de um dia pro outro, e vice e versa. Que inferno! Uma espécie de limbo que magicamente teve fim com a chegada do ensino médio. Não, eu fiz foi colegial mesmo.

É no colegial que os seus amigos são amigos pra sempre. Que você finalmente encontra um estilo. A vida fica mais cool, as festas tem mais sentido, é quando você se prepara pro melhor que esta por vir: freedom! E acabou escola, acabou acordar as seis da manhã, estudar matemática, física. Acabou responder presente, porque na facul tem lista e no trabalho tem ponto. Dirigir, ganhar dinheiro, matar a última aula da sexta pra tomar uma no buteco.

Foi lindo enquanto durou, foi lindo até meados dos 20. Puberdade de novo? O corpo que não se ajustava as roupas da lugar ao currículo falho que não se ajusta as ofertas de emprego. A mudança de estilo (uma por semana) da lugar a mudança de carreira: largo o escritório de direito e vou prestar belas artes ou trabalho de garçonete um ano nos States pra depois abrir minha pousada em Juquey?

Eu vejo a minha volta meus contemporâneos que aos tropeços se casam, tem filhos, se perdem pela Europa, se fazem workaholics...todos com aquela mesma sensação de 15, 20 anos atrás de que a vida é uma merda e que nós somos uns falidos.

Mas e se, e se tudo não passasse de uma espécie de ginásio, e se daqui uns anos, com os primeiros fios brancos que trazem os 35, também não chegasse um novo colegial?! E se aos 40 tudo mudasse e a gente se sentisse de novo fazendo parte do terceirão, pronto pra encher os mais novos de lições de moral, e fumar na porta da escola? Isso explicaria a crise da meia idade, uma terceira puberdade, ou purgatório, antes da felicidade eterna trazida pela demência na senilidade.

Enquanto a velhice não me traz essas respostas só posso desejar paciência e coragem a todos os formandos de 2011 que no próximo semestre irão estrelar no 1ª ano, seja ele qual for.

Wednesday, March 16, 2011

Sobre Tsunamis e imanusTs


Enquanto o mundo assistia aos noticiários, chocados pela a força da natureza e  mortificados pelas perdas sofridas no Japão, eu comecei a pensar no que poderia ter sido previsto dessa tragédia. Quase nada, foi minha conclusão. Os terremotos tem chacoalhado aquela parte do planeta desde sempre e a palavra Tsunami teve origem alí, querendo dizer: onda contra o porto. Por sorte, naquele país, o conhecimento de causa e a tecnologia avançada fizeram com que as perdas fossem menores do que poderiam ter sido. É só pensar no caso do Haiti em janeiro passado ou na Indonésia, em 2004.

Mas a minha cabeça não ficou por muito tempo na Ásia. Assim que me conectei à internet pra checar as últimas notícias me deparei com outra calamidade que chamou minha atenção. Alguma coisa esta acontecendo na sétima maior economia mundial. Todos os anos o país onde nasci, soma os prejuízos e os seus mortos após cada chuva de verão. Esse ano podia ter sido diferente, mas não foi.

De novembro à março, milhares de pessoas do norte ao sul do pais perderam suas vidas e outras centenas de milhares suas casas. São Paulo, a décima cidade global em riqueza é submersa (literalmente) todos os dias e a periferia ou melhor, as favelas, são lavadas do caminho mais uma vez deixando pra trás lama, desespero e ainda mais pobreza. Mais uma vez, esse verão podia ter sido diferente, mas não foi.

A minha vida inteira ouvi uma piada que eu costumava achar engraçada, ela conta a história da criação do mundo enquanto que, numa conversa com deus, dois anjos clamam por justiça. Como poderia o criador abençoar um lugar dando-lhe tanta beleza, clima ameno, todo o tipo de recursos naturais sem ao menos castigá-los com qualquer furacão, vulcão ou terremoto. Assim, que deus responde: “mas vocês verão os FDP eu vou colocar pra viver ali”.

Em dias como hoje ela já não me faz rir, porque um terremoto de escala 9 seguido de tsunami matou no Japão tanto quanto as habituais chuvas de verão no Brasil, isso nos últimos três meses. Não tem graça porque, assim como piada velha, a mesma cena infinitamente repetida perde seu significado. Não me diverte (espanta) mais porque dessa vez, como todas as outras vezes, poderia ter sido diferente, mas não foi.

Em lados opostos do mundo, Japão e Brasil são o reflexo no espelho um do outro. Enquanto de um lado se está preparado para o pior, do outro ainda luta-se penosamente para sobreviver às catástrofes diárias. É hora de mudar a postura, ou o próximo tsunami baterá à porta muito em breve. E eu só posso manter-me esperançosa por mudanças, como no Brasil nós sempre fazemos.

About Tsunamis and imanusTs

While the world is looking at the news, amazed by the power of nature and concerned about people in Japan I started to think what about that tragedy could have been prevented. Hardly anything, I guess. Earthquakes have been hitting that part of the planet since the beginning and tsunamis are so unpredictable in their intensity as any other natural power. Luckily, their knowledge and developed technology made the losses smaller then it could have been. Think about Haiti last January, or Indonesia, 2004.

But my thoughts did not stayed in Asia for a long time. As soon as I opened my browser today, to check up on the latest news, there was some other calamity that caught my eyes. Something is happening in the world’s 7th largest economy. Every year the country where I’m from and lived the first 20 years of my life, count their damage and dead after the summer rains. This time it could have been different, but it was not.

From November thru March, thousands of people from north to the south, have died and another hundreds of thousands have lost their houses. Sao Paulo, the 10th richest city in the world, is daily submersed (literally) and it’s suburbs, or truly - slums, have been washed away once again leaving behind mud, desperation and even more poverty. Again, this time it could have been different, but it was not.

For my whole life I heard a joke I used to think it was funny, it tells the story of world’s creation while in a talk with god, a couple of angels claim for fairness. How could the creator bless so much a place given to it an amazing weather, beautiful landscapes, all kinds of natural resources and no tornados, no volcanoes or earthquakes. So that god answer: “but you will see what kind of bastards I’m gonna put to live there”.

In days like today, it doesn’t make me laugh anymore, because a 9 grade earthquake, followed by a tsunami, killed as much in Japan as the habitual summer rains in Brazil, only in the past couple of months. It’s not funny because, as old jokes, the same scene repeated over and over again loses it’s meaning. It does not amuse (amaze) me because this time, and every other time, it could have been different, but it was not.

On the opposite sides of the world, Japan and Brazil are mirror images of each other. While one is prepared for the worst, the other still struggles to survive its daily tragedies. It’s time to change the picture, otherwise the next tsunami is gonna hit you very soon. And I just can keep hoping for change, as in Brazil, we all do.

Tuesday, February 1, 2011

Já foi tarde!

Então é isso, "amigos" do Facebook, tchau pra vocês. Acho que não tem mais nada pra gente compartilhar. Eu até que tenho tentado curtir as suas coisas, mas ficou claro para mim que a gente simplesmente não tem nada em comum. Eu não gosto das suas páginas, você não apóia as minhas causas, eu nunca participei dos seus eventos, e nunca jamais fui marcado em uma foto com você. Deve ser coisa minha: enquanto a maioria de vocês tem centenas de pessoas pra se conectar, eu me esforço para manter em um seleto grupo de dois dígitos.

Mas de verdade, quem são essas 91 pessoas? Então, uns dezoito são família e por família quero dizer da minha mãe ao meu primo de terceiro grau. E você podia até pensar que eu não largaria esse canal pra não cortar uma linha de comunicação, certo? Errado: quanto menos você vê a sua família mais você gosta deles, porque quando vocês se reúnem você percebe como vocês não tem nada em comum. Quer dizer, é bom saber quando eles casam, têm filhos, mas eu prefiro ouvir isso da minha avó, pra acabar tirando dela alguma fofoca. Além disso, aqueles que realmente se importam falam comigo por telefone, Skype, pessoalmente ou em sonhos. Sim, até mesmo os parentes mortos me contactam mais do que alguns familiares do Facebook.

Mas tem também o grupo dos "colegas". Um monte de gente que ia para a escola com você ou gente com quem você trabalhou, mas não aqueles que se tornaram amigos: eu tô falando dos que te "adicionaram" e você ficou constrangido de ignorar. Ou bem eles tão te usando para fazer volume, ou então ... não, eles tão te usando mesmo. E já que agora eu estou saindo daqui, posso dizer: se em dois anos na universidade você nunca me escolheu pro seu grupo de estudo, porque agora eu deveria deixar você ver as minhas fotos da lua de mel? E não não vem ao caso o fato que eu não deveria publicar um momento tão íntimo na internet.

O terceiro tipo de pessoas que eu estou tentando eliminar da minha vida digital, eu nomeei "amigos dos amigos", o tipo mais complicado de relacionamento. Basicamente você não os conhece, mas eles conhecem o seu pai, ou o seu melhor amigo, aí que você os adiciona em consideração aos seus queridos e acaba se arrependendo pra sempre de ter de partilhar os seus pensamentos com esse povo que te convida pra jogar Farmville e posta vídeos do Evanescence. Na maioria das vezes eles te adicionam porque a sua mãe sugeriu, e novamente, eles acham que é legal ter 687 contatos em suas listas.

Por último, mas não menos irritante: o tipinho enganador. Essa é a pessoa que você ficou tão feliz de encontrar online e depois sacou que ele não dá a mínima para você. Ele aceitou a sua amizade e acabou: ele não comenta o seu status, ele não curte os seus links ou álbuns, e não é capaz nem de escrever "Happy B-day" no seu mural. Essas pessoas não vão sequer chegar a saber que estou falando deles, porque eles não vão ler a minha nota! Então que se f*!

Para aqueles dez que sobraram: vocês sabem o meu endereço, tem o meu telefone, meu contato no Skype e meu e-mail. Talvez a gente não se fale o tempo todo, mas eu sei que a nossa amizade tá lá, porque há três meses atrás a gente trocou uns 5 e-mails em uma semana, e às vezes isso é suficiente para um ano inteiro. E eu amo você e/ou admiro você e/ou acho você do caralho e/ou a gente tem os mesmos pais, de forma que nós poderíamos passar o resto de nossas vidas separados, eu vou sempre compartilhar as minhas fotos íntimas com você.

So long, farewell!

That’s it Facebook “friends”, I’m leaving. I guess I don’t have anything else to share with you. I kind of have been trying to like your stuff, but really, it’s clear to me now that we just have nothing in common. I don’t like your pages, you don’t support my causes, I never attended any of your events, and we were never ever tagged in a picture together. It’s probably my thing: while most of you have hundreds of people to connect with, I have always made an effort to keep YOU in a select, two-digit group.

But let’s be honest, who are these 91 individuals? Well, eighteen of them are family, and by family I mean from my mom to my 3rd cousin. And you might think I wouldn’t leave this great channel otherwise I could cut a line of communication. You are wrong: less you see your family more you like them, coz when you guys get together you realize how you have nothing in common. I mean, I am happy when they get married and have kids, but I would rather hear that through my grandma so I also will end up hearing some gossip. Besides, those who care really talk to me, by phone, Skype, personally or in dreams. Yes, even dead relatives contact me more then some Facebook family.

There is also the “colleagues” group. A bunch of people who went to school with you or you worked together, but not the ones you became friends with: I’m talking about those who “add” you and you were embarrassed to ignore. Either they are using you to make volume in their accounts, or maybe…no, they are using you. So now that I’m leaving I can say: if in two years at the university you never choose me for your studies group, why should I now let you to see my honeymoon pictures? And it doesn’t matter I shouldn’t publish such an intimate moment on the internet.

The third kind of people I’m trying to eliminate of my digital life I nominated “friends of friends”, the most awkward type for a relationship. Basically you don’t know them, but they know your dad, or your best friend; so you add them in consideration to your beloveds, and then regret forever having to share your thoughts with people who invite you daily to Farmville and post Evanescence videos. Most of the time they friend you coz your mom suggested, and again, they think it’s cool to have 687 contacts on their list.

Last, but not least annoying sort of online person: the deluder. That is the person you got so happy to find online and then learned he doesn’t give a shit about you. He accepted your friendship and that was it: he doesn’t comment on your status, he doesn’t like your links or albums; he’s not even capable to write “Happy B-day” on your wall. These people are not gonna ever even get to know I’m talking about them, coz they won’t click on my note! So f* you! You are never gonna see it anyway.

To that 10 left: you know my address, you have my phone and Skype contact, you have my e-mail. Maybe we don’t talk all the time, but I know our friendship is still there coz 3 months ago we exchanged 5 e-mails in one week, and sometimes that is enough for a whole year. And I love you and/or admire you and/or think you’re fucking awesome and/or share the same parents with you so we could spend the rest of our lives apart, I would always share my intimate pics with you.

Tuesday, January 4, 2011

Atomic Poem

And so is our love,
two tiny little particles
who meet in a empty infinite as a consequence of chaos.

And coz there is movement,
and coz there is gravity
we stay there, rotating on the orbit of one another,
in an eternal unstable equilibrium,

The kind of fusion that if it loses an electron
– by hurry or by friction –
risks start a Big Bang.

Poema Atômico

O nosso amor é assim,
duas partículas de massa ínfima
que se encontram num vazio infinito por culpa do caos.

E porque tem movimento,
e porque tem gravidade
a gente fica ali, girando um na órbita do outro,
num equilíbrio eterno e instável,

Aquele tipo de fusão que se perde um elétron
– por pressa ou fricção –
corre o risco de um Big Bang.