Uma cena interessante enquanto dirigia pra casa sábado a noite depois do trabalho: limusines por toda parte carregadas de formandos, graduandos da High School. Big deal!, como eles dizem aqui. O ginásio, como se chamava na minha época, também esta se formando, mas parece que os monstrinhos narigudos não compartilham do mesmo glamour.
Ah ensino fundamental, que pesadelo você foi. Um peito maior que o outro, dois braços perdidos no espaço, amigos que se tornavam inimigos de um dia pro outro, e vice e versa. Que inferno! Uma espécie de limbo que magicamente teve fim com a chegada do ensino médio. Não, eu fiz foi colegial mesmo.
É no colegial que os seus amigos são amigos pra sempre. Que você finalmente encontra um estilo. A vida fica mais cool, as festas tem mais sentido, é quando você se prepara pro melhor que esta por vir: freedom! E acabou escola, acabou acordar as seis da manhã, estudar matemática, física. Acabou responder presente, porque na facul tem lista e no trabalho tem ponto. Dirigir, ganhar dinheiro, matar a última aula da sexta pra tomar uma no buteco.
Foi lindo enquanto durou, foi lindo até meados dos 20. Puberdade de novo? O corpo que não se ajustava as roupas da lugar ao currículo falho que não se ajusta as ofertas de emprego. A mudança de estilo (uma por semana) da lugar a mudança de carreira: largo o escritório de direito e vou prestar belas artes ou trabalho de garçonete um ano nos States pra depois abrir minha pousada em Juquey?
Eu vejo a minha volta meus contemporâneos que aos tropeços se casam, tem filhos, se perdem pela Europa, se fazem workaholics...todos com aquela mesma sensação de 15, 20 anos atrás de que a vida é uma merda e que nós somos uns falidos.
Mas e se, e se tudo não passasse de uma espécie de ginásio, e se daqui uns anos, com os primeiros fios brancos que trazem os 35, também não chegasse um novo colegial?! E se aos 40 tudo mudasse e a gente se sentisse de novo fazendo parte do terceirão, pronto pra encher os mais novos de lições de moral, e fumar na porta da escola? Isso explicaria a crise da meia idade, uma terceira puberdade, ou purgatório, antes da felicidade eterna trazida pela demência na senilidade.
Enquanto a velhice não me traz essas respostas só posso desejar paciência e coragem a todos os formandos de 2011 que no próximo semestre irão estrelar no 1ª ano, seja ele qual for.