Monday, June 28, 2010

Por isso vivo de vendaval...

A consulta estava marcada para as quatro da tarde mas, como de costume em qualquer consultório renomado, a paciente teve que esperar outra meia hora antes de ser atendida. Era habitual em se tratando de um dos maiores especialistas do país. Sendo o seu um distúrbio aparentemente raro decidiu consultar-se com o melhor; evitando dividir o seu problema com qualquer outro terapeuta que ao final não lhe poderia dar uma resposta definitiva.

A recepcionista a acompanhou até a porta 21B onde o senhor de barba e cabelos brancos a esperava. A sala era muito bem decorada, as paredes em tons de azul claro combinavam perfeitamente com os móveis clássicos. Entre o divã e a poltrona de couro, optou por aquela que a possibilitava olhar seu interlocutor de frente, exatamente como pretendia enfrentar aquele seu problema. Feitas as apresentações, o doutor que muito se assemelhava a papai-noel, iniciou a sessão.

- Bem, eu decidi me consultar com o senhor porque já faz um tempo que eu tenho esse sentimento. Eu diria que ele começou há uns anos atrás. Na verdade, nos primeiros meses não era assim tão forte e eu pensei que fosse também uma coisa passageira, como seria normal em qualquer um. O fato é que a coisa foi se prolongando e ficando cada vez mais intensa e eu acho que agora se tornou crônico.

O doutor, em seu silêncio profissional, acenava positivamente com a cabeça enquanto a jovem prosseguia.

- Eu acho que também tem a ver com todas as coisas que foram acontecendo nos últimos tempos, que acabaram por acentuar essa minha condição. Porque normalmente, vai lá, existe uma situação, certo? que provoca uma reação e por conseqüência um sentimento, mas depois isso passa. No meu caso acho que foram muitos esses acontecimentos, um depois do outro e que continuam, de certa forma, mas que mesmo não sendo tão fortes só, digamos assim, pioram o meu caso.

Fazendo alguma anotações, o medico pediu para que a paciente continuasse.

- As minhas amigas continuam a me dizer que é normal e que vai passar. Que é impossível que eu me sinta assim pra sempre. Mas acontece que esse problema está acabando com a minha carreira! Eu sou atriz e desde que isso começou que tudo o que eu faço, todos os meus personagens acabam contaminados por esse sentimento. Por mais que tente não consigo sair desse ciclo.

A essa altura a paciente começava a mostrar um ar de ansiedade, mordendo os cantos do lábio inferior, como quem não estivesse pronto falar, mas tem a necessidade de expelir em palavras o que há tanto a assombrava.

- Doutor – fez uma pausa seguida de um suspiro – eu não agüento mais ser feliz.

Tirando os olhos de suas anotações pela primeira vez desde o inicio da sessão, o terapeuta a fixou espantado. Era a primeira vez que escutava uma coisa do gênero. Em quinze anos de escola medica e vinte de profissão nunca havia ouvido falar de qualquer coisa similar. Claro que existem históricos de felicidade em pacientes de todo o mundo, mas sempre passageira e momentânea. Pensando na possibilidade de estar de frente a um caso raríssimo, se não único na medicina, aproximou o pequeno gravador à sua paciente enquanto sugeria que essa contasse um pouco mais sobre a origem do problema.

- Pois bem, eu acho que eu sempre fui uma criança normal. Assim, por exemplo: se eu ganhava um sorvete eu ficava feliz, se o sorvete caia no chão eu ficava triste. Mas também eu não tinha muita noção de felicidade, era sempre uma questão de momento. Depois, na adolescência, tendo já entendido tais conceitos, comecei a almejar a felicidade plena como se isso fosse possível, mas já com a consciência de que não seria. Entende doutor? Eu buscava em satisfações fugazes atingir qualquer coisa de que se ouvia falar, mas que obviamente era inatingível. Eu seguia por base a idéia de que a felicidade era o oposto da tristeza, e que por isso experimentar um momento feliz dependia da experimentação do momento triste e assim por anos passava de momentos de depressão profunda à euforia desmedida. Ou seja, eu era normal!

O medico fez sinal com a cabeça para que ela continuasse.

- Então veio a fase adulta. E como qualquer individuo médio eu continuei a procurar pela felicidade. Eu encontrava um emprego, por exemplo, isso me fazia feliz e então eu começava a ver os defeitos da empresa, ou dos meus colegas e isso me fazia voltar ao estado de insatisfação de antes. Ou podemos falar dos tantos homens pelos quais me apaixonei e que depois de algum tempo se tornavam minha maior fonte de irritação ou os amigos mais fiéis e presentes com os quais eu sempre encontrava um motivo pra uma boa briga. A família, doutor! Esta sempre foi minha maior fonte de alegrias e inversamente, na mesma proporção, de dores de cabeça.

Voltando ao seu caderninho, o medico induzia a jovem a chegar a um momento mais preciso, aquele que haveria desencadeado tal felicidade. Pelo resto da sessão ouviu a respeito de seu marido, seus amigos; na sessão seguinte e pelos próximos meses muito se falou do trabalho, da família, enfim, de tudo o que a cercava. A mulher contava do quanto o marido era tranqüilo e generoso, como os amigos eram divertidos, os colegas simpáticos e a família estabilizada. Falava do orgulho que sentia de si mesma por ter ao seu redor pessoas tão maravilhosas que a respeitavam e a mantinham naquele estado de plenitude.

Passaram-se trinta encontros desde aquela tarde e naquelas trinta horas que sempre começavam em atraso o especialista conseguiu, se não encontrar uma cura, traçar um plano que fizesse com que a jovem tornasse a sua vida normal, de altos e baixos. Não seria fácil, sublinhou o medico, mas ao menos possível.

- Veja bem, a senhora sofre de depressão, assim como tantos dos meus pacientes, mas com a particularidade de essa ser uma depressão inversa que a mantém em um constante estado de satisfação. De praxe pessoas com o seu distúrbio tendem a se deprimir profundamente chegando à cogitar diariamente o suicídio por não merecem tamanha tristeza. Paralelamente a senhora diz se perguntar constantemente ao espelho se tal “felicidade” – e fazia o gesto das aspas enquanto dizia – é um seu mérito ou direito. Dos seus relatos nos últimos meses me parece claro que a senhora deixou de notar as imperfeições não só daqueles que a circundam, mas também de todos o ambiente em que está inserida. Meu conselho é que a senhora passe a analisar melhor suas relações e a si mesma, como temos feitos nos nossos encontros, a fim de encontrar novamente os defeitos, que obviamente todos temos e assim ter motivos para primeiro gerar pequenas brigas, picuinhas como se diz, e mais tarde grandes rupturas que a levarão a uma profunda tristeza.

Depois daquela sessão e já tendo marcado a da próxima semana, a jovem deixou o consultório em baixo de muita chuva. Por certo ainda estava feliz, mas bravejou contra os céus pela primeira vez em anos e condenou-se por ter esquecido o guarda-chuva.

Hoje a não mais tão jovem atriz está em seu terceiro casamento, não fala com os irmãos e seus amigos são sanguessugas dos quais não vê hora de se livrar. Sua ultima entrevista, de quando ainda fazia qualquer trabalho considerável, foi intitulada com a frase: Muito infeliz, obrigada!


"A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar

Voa tão leve

Mas tem a vida breve

Precisa que haja vento sem parar"

(A Felicidade - Vinícius de Moraes)

Thursday, June 24, 2010

Milan, 24th of June, 2010

Dear Bb,

It’s 15:50 on the clock, the other girl just left for her lunch break and I’m already bored. I found this piece of paper to write you a letter, as we promised before but never did. Damm internet! She seems nice but in a bit of a defensive mood. I guess I ask too many questions and she tries to paint a better image of what she thinks is not that good in her life. She is very pretty but complains about her legs, “too fat” she said, but I think they are just fine.

Some Russian girls want to try a couple of shirts, they asked me for the XS even though they fit a XL. Russian girls tend to be very exuberant, mostly with bad taste. Dear lord! They just left the fitting room wearing the shirts as a dress, no pants and I can see the underwear of the blonde one`: lace fabric. Now I can say I saw Gorbachev through her glasnost! Yeahp, it was bold.

16:23, time goes slower coz I keep checking the clock every 30 seconds. It’s funny how a second can last an eternity and months can pass in a minute. How come the Japanese think you should have a very settled routine to live longer? They definitely work their minds upside down.

We do have many Japanese clients actually. But they buy at the shop in front, where stuff is colorful. The girl, who works there, stopped by last evening for a chat. She studied fashion and lived for a year in London. While I’d have a free lesson about silk and crepe she confessed she wants to leave Milan again and I bet she is not the only one. Mostly I work with girls and gay guys, but the very old ladies are my favorite. They always smile at me passing by the shop and many offered help at my first closing alone.

Some time has passed since my last lines, I went down to pick up a dress from storage, my colleague came back and now she is having a discussion about hair with the girl from the shop on the left. She thinks she died it too blond and my coworker says it’s not. When they asked my opinion I suggested she could die it red. They ignored it with lousy faces. I should work on my friend-making skills.

I’m supposed to have my break now, the employees’ bar is cheaper, but downstairs I can smoke. Makes me think about my last job, when I’d have 20 minutes to eat, smoke, pee and send you a message. I feel lonely having a whole hour to do the same.

Hey, I’m back. I ended up having lunch with another girl who works at the shop on the left. She is very cute, very young and really lost. I’m lucky not to work there. They earn commission and the boss is super stressful. She is on the last shift as well, so we can keep each other company. I heard her stories about her ex-boyfriend, such a jerk!

You know, writing you a letter reminds me of all the letters I have from my mom when she first moved to Sao Paulo. She used to work at this furniture shop, kind of fancy, where she had to sit alone in a armchair and wait for the clients. She did it for 7 months and that was the only income of the family through that time. I hope not find myself in the same situation in some years from now, even though I’m proud of everything she did.

Viva! I just sold $731,50 to an Italian lady! Can you believe she paid $101 for a shirt? I could buy 20 of mine and drink a coffee with the same money. It’s also true they fall apart after a month, but the first time her maid throws hers in the washing machine by mistake it also will become un-wearable.

Another hour and I’m free! I cleaned the glass tables for the third time today. I do so as soon as I see a fingertip, to make the time pass, to keep me occupied. The racks are methodically tidy and I already checked the changing room for lost hangers. I guess that is it. Just need to close the register now. Hope to see you on Skype later. Love you!

Tuesday, June 22, 2010

Go get yourself a job! II

E depois de tanto esforço você finalmente chegou lá. A Sra. Fulana acaba de ligar e vocês se encontrarão na próxima segunda-feira para uma entrevista. Pra qual empresa? Não deu bem pra ouvir, você estava tão emocionada que mal conseguia entende-la. Mas o que importa?! Finalmente seus esforços foram reconhecidos, finalmente alguém não só leu o que estava escrito no seu CV como esboçou um meio sorriso e pensou: “Que se foda! Liga pra essa daí também...”

Mas ainda não dá pra cantar vitória. Você já é um profissional quando se trata em responder anúncios, mas quando o assunto é entrevista de emprego a coisa fica muita mais ninja. Aqui você não pode usar o instrumento de línguas do Google quando o seu italiano falhar. E é pra te preparar pra esse momento decisivo na sua carreira como garçonete, vendedora de shopping e afins que estou de volta com as dicas que te recolocarão no mercado de trabalho.

É muito importante que você saiba com quem está falando e não se deixe enganar. Uma entrevista conduzida por uma agência de empregos, por exemplo, tem como objetivo encontrar seus impedimentos para determinada vaga e assim te eliminar antes que você crie maiores expectativas. Por isso mesmo siga a maior de todas as regras ao ser entrevistado: minta. Minta sobre a sua disponibilidade: voltar do trabalho todos os fins de semana as 3 da manha? Adoro a noite! Minta sobre suas experiências anteriores: se sei fazer cockteis? Claro que sim, afinal era você a primeira a misturar rum na coca-cola da festa da escola! Minta sobre absolutamente tudo! Mas principalmente faça o seu carrasco entender que você precisa desse trabalho e não saia dali até atingir seu objetivo.

Já quando a conversa é com o gerente, responsável, sub-gerente, vendedor-chefe, ou raio que o parta, a coisa muda de figura. A pessoa em questão agora não é chefe de nada, mas gostaria de ser. Esse alguém trabalha dez vezes mais que todos os outros funcionários, mas seu salário continua praticamente o mesmo desde que ele começou na empresa, há dezoito anos atrás. É bem possível que ele te faça perguntas que testem sua lealdade e sua vontade de crescer na equipe. Por isso faça com que seu futuro colega acredite que assim como ele você dará a alma pela loja. Não existirão feriados, jogos da copa ou resfriado que possam te impedir de trabalhar e por quê? Porque você adora abrir o caixa, porque você não vive sem contar o estoque, porque seu sonho é assinar um recebimento de mercadoria!

Como último desafio, assim como no Mario Bro’s, você terá que se encontrar com o verdadeiro chefe. Este fará as mesma perguntas que todo mundo já fez incluindo algumas mais pessoais, por isso cuidado ao com as que podem expor seus verdadeiros sentimentos. “Qual o motivo do fim do seu último emprego?” é uma das mais cotadas, mas é possível se safar tendo se preparado antes, como por exemplo. Se você detestava os seus colegas, que tal dizer que: apesar da equipe maravilhosa você não queria se acomodar por ter um ambiente de trabalho tão acolhedor e decidiu buscar novos desafios? Se seu gerente era uma anta diga que, vendo seu talento com vendas, seus superiores te incentivaram a conquistar mercados maiores. Ou se aqueles cretinos tiravam o seu sangue por um salário ridículo você pode dizer que, apesar da excelente compensação, você sentia falta de poder dar mais para a empresa.

O mais importante é não perder de vista quem você realmente é, seja na frente da secretária, falando com o chefe, seja pra vaga disputadíssima, ou pro maldito call center. No fim das contas esse é só mais um trampo, como poderia ser o trabalho dos seus sonhos! Encare-o com dignidade e é bem possível que ele salve a sua!

Thursday, June 17, 2010

Contando história

Ninguém sabe dessa história, mas eu vi e posso contar. Acontece que depois daquele inverno que a formiga deu casa e comida pra cigarra, essa decidiu tomar uma atitude na vida e deixou de lado a cantoria. Bom, não assim completamente, claro que a cigarra dava uma cantadinha aqui e outra ali, mesmo porque a formiga acabou confessando que adorava aquela melodia. Então foi isso, as duas ficaram nessa, recolhendo folhinha o outono inteiro. Às vezes rolava até um luau da cigarra, a formiga convidava o formigueiro todo, churrasco de graveto, o maior barato.

Mas ai chegou outro inverno e a formiga se ligou que a cigarra tava na maior angustia, com uma cara puta deprê – e isso eu vi porque eu tava lá – e foi quando a formiga decidiu bater um papo com a colega:

- Não formiga, não é nada meu. É que tá foda, sabe? O ano inteiro catando essas folhinha, eu preciso dar um rumo na minha vida. Sabe, tem uma história rolando aí de uma banda, “Os Insetos”, cê tá ligada quem são? E os caras precisam de um baixista que faça backing vocal e é isso, velho, acho que eu vou com os caras.

Putz, a formiguinha ficou irada!

- Você é difícil mesmo, né cigarra. Porra meu, não faz um ano você tava ai, congelando. Se não fosse a gente, se não fossem essas folhinhas ai que você fica falando, você tinha virado casquinha só. Vai tocar baixo agora?! Desde quando cê toca baixo?
- Eu arranho um Legião no violão, ué! Pô formiguinha, vou fazer o que? Passar o resto da vida aqui com a tua galera, cantando no chuveiro?
- Qué cantá? Qué cantá mesmo? Então vai pro Bom Motivo, meu! Vai no Ídolos!! Mas não vem com essa de “vou viajar com uma banda tocando baixo”. Concentra bicho, você precisa de foco, tá entendendo? Cigarra, você é brother, mas tá vacilando…

E ficou nessa mesmo, a cigarra naquela cara de bunda e a formiga meio puta e tal. Até o dia que nevou, que é quando as formigas se recolhem pro ninho, pra só colocar a carinha pra fora na primavera. Bom, entra todo mundo e cadê a cigarra? Nada. Corre pra cá, corre pra lá: sumiu a bendita. E pior que a formiga ficou mó tensa, e chama a galera pra fazer busca e isso e aquilo. Nada. E nem dava mais pra esperar também, porque depois que neva mesmo, o bicho pega: quem entrou, entrou, quem não entrou virou história.

O inverno inteiro aquele climão de velório. Mas finalmente chega a primavera e lógico, festão! Todo mundo animado e eu claro, como todos os anos, fui tomar aquele néctar com uns camaradas abelha pra comemorar, né! Chego na colméia o que é que eu vejo? Ali na parede enorme: um cartaz pro show dos “Insetos” com a cigarra com um baixo na mão (e uma roupinha bem ridícula de metaleira, mas tá beleza).

Fiquei besta, corri pro formigueiro pra contar, mas acho que fiz mal, porque a formiguinha ficou ainda mais chateada, achou palhaçada a cigarra ter sumido, enfim. Acabou que o assunto morreu assim e ali no formigueiro ninguém nem tocou mais nisso. Com o tempo a história que ficou foi aquela que vocês já sabem, mas eu tava lá, pode acreditar que è papo sério. Palavra de Borboleta…

Monday, June 14, 2010

Le situazioni di merda

Sai quando tutti i vestiti che ti stano meglio sono da lavare e t’invitano ad una serata figa? Sai quando dopo una settimana di caldo, decidi di metterti i sandali e piove? Sai quando continui a dire di no ai tuoi amici perché non puoi spendere e quando accetti finite nel ristorante mega caro fuori città? Ecco, quest’ultima sono io.

Arrivi al tavolo – ci sono già mille tipi di pane – l’acqua gasata l’hanno messa là, cazzo! Devi stare zitta, magari se non sentono la tua voce ti fanno pagare meno. Il cameriere apre una bottiglia di prosecco davanti a te, e non sai se accettare o meno: se lo bevi lo paghi, se non lo bevi lo paghi lo stesso? Arrivano gli antipasti, una tavolata da dieci dove sei la più piccolina e la più povera. Ecco! La tua maglietina H&M se è appena rotta. Come cazzo lo hai fatto? Che vergogna, gli amici che provano a metterla a posto, “fate un nodino dio santo”! Il cameriere chiede cosa succede, sono in due a sistemarla dietro alla mia spalla e io che voglio un buco dove mettere la testa. Ancora con gli antipasti, e la tua faccia sempre più depressa.

Sarà cominciata prima questa situazione di merda, quando eravate ancora all’aperitivo. Una tipa al telefono metteva fretta a tutti, ci voleva far conoscere questo posticino bellissimo fuori Milano. Ma si, usciamo da questa città cara e fashionista. Andiamo in campagna dove c'è verde e la gente è simpatica.

Arrivano le liste, nessuno le guarda: stanno a chiaccherare, si conoscono, fanno lo stesso lavoro. Tu non hai un lavoro, cosa fai li? Guardi il cagnolino al tavolo di fianco, che bravo, “vorrei essere al posto tuo”. Pure il cane è caro. Un’occhiata veloce alla lista, dieci, sedici, ventidue, prima si guarda a destra dopo si seguono i puntini per sapere di cosa si tratta. No, non posso ordinare soltanto delle patate al forno, questo è il contorno.

In macchina hai sentito il nome del paese, qualcosa ti diceva di non andare, sembrava impossibile ma e se quel ristorante fosse lo stesso dove sei andata a quel matrimonio? Si, quello dove ti hanno detto che una cena non esce per meno di cinquanta euro. Tu lavori tutta una serata per cinquanta euro. Tu impili quattordici tambler in mezzo agli ubriachi che ti saltano addosso al suono di Lady Gaga fino alle tre del mattino per cinquanta euro!

Arriva il proprietario, vuole prendere le ordinazioni. No, non siamo pronti, io devo ancora andare in bagno per piangere di nervoso. Ci da ancora cinque minuti. Tu hai gia deciso: “no ragazzi, sono sodisfatissima”. Non puoi, almeno un primo. Zucchine con fiori di zucca? Hai lo stomaco chiuso; mozzarella? Bravi, per miracolo decidono di prendersi direttamente il dolce. Il proprietario se la prende male, poi ritorna a scusarsi. Tu riprendi il fiato.

Eravate ha trenta chilometri da Milano quando hai sentito il nome del posto. Era proprio quello, cosa fai, apri la porta e ti butti in autostrada? E cosi siete li davanti e ti senti come la mucca che sarà ammazzata. Chiami tua sorella che ti dice di stare calma e goderti la cena. Ma come? Dopo la birra all’aperitivo mi sono rimasti soltanto venticinque euro…

Prima di arrivare il conto, la tua amica che ti darà uno strappo ti fa sapere che deve proprio andare. Lasci i venti e cinque e prega agli altri di farti sapere dopo se gli devi dei soldi. Sei riuscita. Forse domani ti chiameranno per gli altri venti e cinque…o forse quella situazione di merda non è finita tanto male.

Wednesday, June 9, 2010

My life in a suitcase

As I told you before, the first time I came here I had these two suitcases with some summer clothes, sandals and a pair of light coats. It was wintertime. The snow would cover the entire balcony while I stared at the mountains from the inside, both hands holding a cup of tea, feet freezing in flip-flops.

Yes, I was freezing, but I was happy and in the next years I created the “rule of the two suitcases” (later turned into the “one suitcase rule” after the air companies changed their baggage limits) or simply the "freedom rule".

It consists in owning (or needing) just the right number of things that can be can carried in one 23kg suitcase and one 10kg hand luggage. Everything else you may buy or borrow to try having a normal city life – maybe from some other practitioner of the “freedom rule” –must be resalable or renegotiable.

So here it comes some tips:

First of all, you cannot be fashionable if you plan to be a hermit. Choose carefully those 7 to 10 shirts you really can use with anything else. If you can’t leave behind that gorgeous wardrobe you built along your life, at least choose the ones that are going to give you a style, so you can be an 80’s hermit or, most common, a hippie hermit. All the other fabulous stuff you’ve been collecting can be stored at your base place (see item bellow).

Find a base place! It can be a garage at your brother’s, your old room at your mom’s house, your best friend's basement or a simple box over your sister’s closet, but it must be easily achievable from wherever you are. That’s where you should leave the stuff you can’t give up, but don’t really need. You could let your old boy(girl)friends' love letters, the only piece of furniture you ever bought ‘cos you liked it, your teddy-bear collection, or just an empty spot, in case you ever need it. Some supporters choose having more then one base place but be careful: don’t spread your belongs all over the planet unless you don’t care if you are going to see them again. Trust me.

Get connected with others like you! They look like they have no perspective in life. They sound completely lost. They appear to be confused: they are you in the future! This kind of person can be very useful during the whole period you decide to be a freak, I mean, a person with no perspective who sounds completely lost and very confused. Economically they can save your ass at a moment when you need an apartment and some furniture, exactly because they need to replace their stuff and find a new renter for their house. And they can also be a good source of well-researched information because they will know of many cheap places to find food, and low cost options for everything. Anywhere can be a good place to meet one of this species, but try especially on “craigslist” and languages courses for beginners.

And last, but not least important: DO NOT create roots! It’s really easy to make your best friends and find the love of your life once you decide to hug the world. Remember: you are just passing by, when you leave again your are gonna leave everyone and everything. That amazing guy who found you work and told you how cool the city could be. That beautiful girl who studied with you and made you laugh about a strange culture you’re now in. Your favorite park, your favorite bar, your favorite black jim gallery.

If you follow each of these simple rules I guarantee you’ll succeed in the “freedom rule,” but you’ll probably miss breaking your heart at every good-bye.

Monday, June 7, 2010

Go get yourself a job!

Vi presento un manuale veloce di come cercare un lavoro (e non trovarlo).

Gli annunci di cercasi ci sono un po’ da per tutto. Puoi andare in un’agenzia, se sei pigro. Chiedere di porta in porta, se non hai un cazzo da fare. O pure comprare quei giornali specializzati, se c’e la fai ad essere cosi ottuso. Il mio modo favorito è internet, perché sono pigra, non ho un cazzo da fare e dai: questo è il 2010, ragazzi!

Allora apri il tuo browser, guarda le tue mail, posta qualche cazzata su facebook e dopo aver letto le notizie del giorno è il momento di cercasi un job. Ci sono tante finestre che puoi compilare quando cerchi lavoro online, ma le più importanti ti chiedono semplicemente “cosa” e “dove”. Se è vero che per avere successo nella vita c’e bisogno di qualche obbiettivo, allora mi sono convinta che, se tuo target è tutto, sarà ancora più facile arrivare in alto. Quindi dimentichiamoci di mettere “cosa” (tanto, se hai proprio bisogno di lavorare che te ne frega cosa farai) e, se non hai figli, mutuo, o qualcos’altro che dipende da te, dimentichiamoci pure di mettere “dove”. Che ne sai se cercano una madrelingua portoghese in Tailandia, o un’apprendista cuoco a Parigi con vitto e alloggio?

Bene, adesso che hai le offerte davanti concentrati su quelle non più vecchie di 3 giorni. Uno perché se sono lì cosi da tanto hanno gia fatto i colloqui e se ti candidi penseranno che sei uno che non vuole cosi tanto lavorare, altrimenti li avresti gia trovati prima.

Lascia perdere quelli che dal titolo gia non ti piacciono. Poi, se non sei laureato in economia non è che puoi andare a fare il manager, sbaglio? Ok, apri quello “commessa part-time”, ci saranno una ventina. Chiuderli subito se trovi queste:
- Esperienza di almeno 10 anni
- Automunita (perché appunto, non hai ne anche la patente)
- Categorie protette (non so bene cosa sia, ma non è stato bello quando nel colloquio mi hanno detto “che non apartenevo”)
- Cercasi personale umile! (Moh…)

Rimanendone appena tre, potrai finalmente inviare loro il tuo CV. Ma non è così facile. Dal momento in cui fai click su “candidatati online” appariranno i maledetti “Registrati subito”. Il mio consiglio è: vattene! e dimentica quell’offerta, ma se vuoi provare quell’inferno crea pure il tuo account. Ti chiederanno il mondo. Dati e ancora più dati, residenza, domicilio, codice fiscale, voto di laurea. Giorno, mese e anno in cui hai cominciato e finito tutti i lavori, corsi e nulafacenza della tua vita!!! Se arriverai al momento di scegliere una password, non pensare che sia finita: adesso dovrai andare sulla tua mail e confermare la registrazione e, guarda un po’, l’offerta è sparita, non la troverai mai, mai più e ti arriveranno settimanalmente da oggi al’infinito delle newsletter, pure se hai deselezionato la casella che te l’offriva.

Dunque, è rimasto ancora un annuncio dove puoi contattare l’azienda direttamente tramite un numero di telefono. È tuo, fai un respiro pensa bene cosa vuoi dire, sorridi anche se non ti vedono, smettila di tremare e chiamali:
- Salve, buongiorno! Mi chiamo Paula e ho trovato il vostro annuncio online per commessa presso il vostro punto vendita in San Babila…
- Ah, si, salve! Eh, mi dispiace ma il posto è gia stato assegnato…

Sicuramente era lì da più di tre giorni…
---------------------------------------

I present here a quick manual of how to search for a job (and not find it).

Wanted ads are a everywhere. You can go to an agency, if you're lazy. Door to door asking, if you don’t have shit to do. Or even buy those specialized news, if you want to be obtuse. My favorite though is the Internet searching, because I’m lazy, I have nothing else to do and come on: this is 2010, guys!

Then open your browser, look at your e-mail, post some shit on facebook, and after reading the news of the day it is the time to find a job. There are so many windows you can fill out online when looking for work, but the most important is simply to ask "what" and "where". If it is true that to succeed in life you need some goals, then I am convinced that if you target everything it gets easier to get there. Then forget to put "what" (if you really need a job doesn’t matter what you do) and if you do not have children, mortgage, or something else that depends on you, well forget to put "where" as well. What do you know if they are looking for a Portuguese speaker in Thailand, or an apprentice chef in Paris with accommodation and meals?

Well, now that you have them in front of you, focus on those not older than 3 days. One because if they are there since so long the interviews are probably already going on and if you candidate yourself now they will consider that you don’t really want a job, otherwise you’d have applied earlier.

Forget those which you don’t like from the title. Even because, if you don’t have a degree in economics it is clear that you can’t work as a financier, right? Ok, open the "sales-person part-time job”, there will be twenty of them. Close immediately if you find these:
- Experience of at least 10 years
- Car owner (because you don’t even have a license)
- Special needs category (I don’t know what it means, but it wasn’t nice when at the interview I was told "you don’t belong to it”)
- Humble personal wanted! (WTF!...)

With only three remaining, you finally can send them your CV. But it is not so easy. From the moment you click the "Apply Online" the fucking "Register Now" will pop out. My advice is: leave! and forget that offer, but if you want to try for the hell of it go on and create your account. They will ask the world about you. Info and more info, residence, address, social security number, degree, grades, day, month and year you started and finished all the work, courses and doing-fucking-nothing of your life! If you arrive to choosing a password, do not think it's over: now you must go to your e-mail and confirm registration, and surprise, surprise, the offer is gone, you will never ever find it again, and from now on you’ll get a weekly newsletter even if you unchecked the box that offered that.

So, there still remains an ad where you can contact the company directly through a phone number. It's yours, take a breath, think of what you wanna say, smile even if they cannot see you, stop your shaking hands and call them:
- Hello, good morning! My name is Paula and I found your ad online for sales person at your store in San Babila ...
- Ah, yes, hello! Eh, I'm sorry but the place has already been taken ...

Surely it was there since more than three days...
--------------------------------------------------------

Apresento aqui um manual rápido de como procurar um emprego (e não encontra-lo).

Existem muitas maneiras de se encontrar um emprego.Você pode ir a uma agência, se você for preguiçoso. De porta em porta perguntando, se você não tem porra nenhuma pra fazer. Ou até mesmo comprar jornaizinhos especializados, se você ainda consegue ser tão quadrado. Minha maneira favorita é a internet, porque sou preguiçosa, não tenho porra nenhuma pra fazer e, gente, estamos em 2010, né?!

Então abra seu brownser, dê uma olhadinha nos seus e-mails, poste qualquer merda no seu facebook e depois de ler as notícias do dia é o momento de procurar um job. São várias as janelinhas que você pode preencher on-line ao procurar trabalho, mas as mais importantes simplesmente pedem "o quê" e "onde". Se é verdade que para ter sucesso na vida é preciso uma meta, então estou convencida de que, se seu objetivo for TUDO, será ainda mais fácil chegar lá. Por isso esqueça de colocar "o quê" (se você realmente precisa de um trabalho pouco importa o que você fará) e se você não tem filhos, hipoteca, ou qualquer outra coisa que dependa de você, esqueça também de colocar "onde". Vai saber se não estão procurando alguém que fale português na Tailândia, ou um aprendiz de cozinheiro em Paris, com alojamento e refeições?

Bem, agora que você já tem as ofertas tente se concentrar nas que tenham menos de 3 dias online. Primeiro porque se elas estão ali há tanto tempo, é provável que as entrevistas já tenham começado. Segundo porque se você se candidatar agora pensarão que você não é assim tão empenhado, ou já os teria encontrado antes. Esqueça aquelas que já do título você não gosta tanto. Mesmo porque, se você não é formado em economia, não é que pode se um economista, certo? Ok, abra o "vendedora, part-time”, haverá uns vinte desses. Feche imediatamente se você encontrar estes itens:
- Experiência de pelo menos 10 anos
- Proprietário de um carro (porque nem carteira de motorista você tem)
- Categorias especiais (não sei bem o que é, mas foi péssimo quando na entrevista me disseram que “eu não fazia parte”)
- Procura-se pessoal humilde! (hein? )

Restando apenas três possibilidades chegou a hora de enviar o seu CV. Mas não é assim tão fácil. A partir do momento que você clicar no "Candidate-se Online" um maldito "Registre-se Agora" aparecerá em sua tela. Meu conselho é: feche a página! e esqueça aquela oferta, mas se você quiser experimentar um pouco do inferno, vá em frente: crie sua conta. Eles pedirão o mundo. Dados e mais dados, residência, endereço, CPF, notas da faculdade; dia, mês e ano em que você iniciou e terminou todos os trabalhos, cursos e coçações de saco da sua vida! Se você chegar a escolher a senha, não pense que acabou: agora você terá que ir até sua caixa de e-mails e confirmar seu registro, mas olha só que coisa: aquela oferta sumiu! Você não a encontrará nunca, nunca mais e desde momento até o infinito você receberá semanalmente uma newsletter mesmo tendo desclicado a opção que a oferecia.

Pois bem, existe ainda uma oferta sobrevivente. Nela você tem acesso ao telefone da empresa e a chance de contatá-los diretamente. Ela é sua, respire fundo, pense bem no que quer dizer, sorria mesmo que não te vejam, pare de tremer e ligue:
- Olá, bom dia! Meu nome é Paula e eu encontrei o seu anúncio on-line para a sua loja em San Babila ...
- Ah, sim, Olá! Eh, me desculpe, mas a vaga já foi preenchida ...

Com certeza era uma oferta de mais de três dias...

Sunday, June 6, 2010

E hoje é domingo...

Após 12 minutos de espera no ponto, lá vem o ônibus, com sorte nem tão cheio como é de costume. Uma olhada rápida pra encontrar uma cadeira vazia – prefiro aquelas sozinhas, assim não corro o risco de um vizinho chato a me amolar. Nada, o teen acaba de roubar o lugar perfeito, resta a dúvida: sentar-me com o tiozão pançudo ou a velhinha que carrega flores.

Continuo a procurar uma musica no tal iPod. Não pode ser muito triste: acabei de me despedir do meu amado no aeroporto internacional depois de apenas uma semana casados e estou evitando chorar; não pode ser muito alegre: queria manter o nó na garganta até nos falarmos de novo no Skype, assim ao vê-lo a carga de emoção será tamanha, tensa e relaxante, que continuarei sorrindo exageradamente por meia hora (adoro cãibra de sorriso).

Ela chacoalha o ramo de hortelã quase na minha cara, fica difícil não me desconcentrar dos carros que ultrapassam o nosso bus. Desconecto a orelha direita pra entender o que diz. Idosos nunca reparam se você está usando fones de ouvido e podem conversar por minutos mesmo que você não esteja ouvindo nada:

“...ai ela me falou pra pegar. Gente, que perfume, parece até que a gente tá no campo. Será que se eu colocar eles na água eu consigo fazer raiz?!”

Estou um pouco confusa ainda, desconecto o ouvido esquerdo e concordo com o perfume. Raízes? Eu sei lá, concordo por falta de opinião.

“Ela me deu as flores do jardim dela acredita?! Ai me falou assim: põe do lado da foto do seu marido. Sabe, cinqüenta anos juntos ai dois meses depois de comemorar ele morreu. Mas é que a doença dele sabe, já tava muito avançada, coitado.”

Tive certa curiosidade, "que doença" pensei, mas só disse um sincero sinto muito e voltei a acompanhar os carros, um deles passou com um labrador caramelo.

“Porque depois de tantos anos um se sente sozinho no mundo. Eu me sinto desprotegida. Eu tenho medo às vezes, foi toda uma vida.”

Ai meu deus, ela tem os olhos marejados. Ela olha pras flores e limpa rapidamente uma lagrima que fazia seu caminho em direção à maça do rosto.

“Sabe senhora, o importante é que a senhora pôde viver cinqüenta anos com o seu companheiro e que foram bons anos. Poucas pessoas tem essa chance, de encontrar a pessoa certa e tê-la por perto por toda a vida.”

Pronto, agora ela vai balançar positivamente a cabeça e vamos mudar de assunto, sim? Não, ela suspira e olha o infinito, a sensação que tenho é que ela quase o culpa por ter morrido. Como ele pôde fazer isso, tamanha traição depois de 50 anos de casamento: morrer e deixa-la aqui.

Continuamos a conversa por toda a Viale Campânia, Romagna, Piola, Lombardia. Aprendo que ela voltou a trabalhar durante as manhas, pra ver gente, pra sair de casa. Aprendo que os filhos são distantes, as noras implicantes e os netos uns amores. Ela se prepara a descer no próximo ponto.

“Sabe, o domingo é o dia mais difícil, os filhos tem as suas coisas, mulher, família. Domingo é o dia mais triste, signorina. Allora, una buona giornata a lei, vado a comprare un pó di frutta.”

E desceu do ônibus, me deixando com o nó na garganta que nenhuma musica alegre poderia tirar.

Thursday, June 3, 2010

O gato

Põe o pufe na sala e lá esta o gato. Muda a roupa de cama e lá deita o gato. Vai fazer xixi e lá vem o gato. Abre a janela da sala e lá pula o gato. Muda o canal da TV e lá espreguiça o gato. Deita no sofá da sala e lá arranha o gato. Deixa a porta aberta dois segundos e lá se vai o gato.

The cat

Add the ottoman in the room and there is the cat. Change the bed linen and there lies the cat. Go to pee and there comes the cat. Opens the window and there jumps the cat. Change the TV channel and there stretches the cat. Lie on the sofa and there scratches the cat. Leaves the door open two seconds and there goes the cat.

Only for you...

If we ever become what we dream, and if the time pass and it made sense, I want them to know once it was just a dream. Once it was just a thought.

I want them to know it all started with a cigarette, it all began with laughs about being one when we were actually two.

When it all ends up, and we become memory in a few heads, I want them to spread the story that sounds fake and even us could not believe. I want them saying it was easy and good like licking an ice cream on wintery Berlin, like riding the bike while drinking a beer.

When it ends, I hope you know you’re always my dream.