"Do you see? Do you see the point where we are?"
Ele parou de caminhar e sorrindo soltou os dedos dela levantando o olhar na sua direção.
"A gente tá num parque, em cima de um morrinho gramado."Ela torceu o canto da boca como costumava fazer quando era contrariada e depois abriu um sorriso discreto.
"A gente tá naquele ponto onde tudo é feito de, como é que se chama aquilo mesmo? Aquela sujeirinha em cima dos móveis?"
"Dust?"
"Isso, tudo feito de poeira, de ar, tão frágil, tão leve e, por isso mesmo, tão gostoso. Que nem Suflair, sabe Suflair?"
Ele abriu um outro sorriso doce, os olhos azuis que brilhavam. Ela parecia tão charmosa tentando encontrar as palavras naquele inglês tão simples. Envergando as sobrancelhas e movendo os braços, como se isso tivesse o efeito de ampliar seu vocabulário.
"É nesse ponto que pessoas como eu, como você, fazem as grandes cagadas, porque você pega essa coisa tão frágil, tão airada que é a paixão e põe em cima disso o peso de um namoro, um noivado, uma casa juntos, filhos, hipoteca, mas é só poeira entende? É óbvio que vai acabar ruindo."
"Yeah, I understand..."
Talvez fossem as vozes das crianças correndo entre as pernas de pau do pirata ou a voz dela, algumas vezes tão rara e agora em ritmo ansioso; ele escutava, braço em torno a sua cintura com os dedos pendurados pela metade pra dentro da calça, tentando adivinhar qual seria o modelo daquela calcinha.
Ela parou de falar pra pensar um momento em português, tentar traduzir aquela frase - parecia tão poética. A caminhada durou por mais alguns minutos naquele silêncio rodeado de barulho e ela chegou até a formular a tese de que o amor não passava de muita poeira misturada com água (que de água passou a lágrimas) e prensado, como barro que vira tijolo; esse sim era o amor que poderia agüentar todo o peso de uma vida juntos.
E porque era agosto e porque eles estavam em Berlim o assunto morreu ali, com um beijo demorado em frente a barraquinha de curry wurst.
Ele parou de caminhar e sorrindo soltou os dedos dela levantando o olhar na sua direção.
"A gente tá num parque, em cima de um morrinho gramado."Ela torceu o canto da boca como costumava fazer quando era contrariada e depois abriu um sorriso discreto.
"A gente tá naquele ponto onde tudo é feito de, como é que se chama aquilo mesmo? Aquela sujeirinha em cima dos móveis?"
"Dust?"
"Isso, tudo feito de poeira, de ar, tão frágil, tão leve e, por isso mesmo, tão gostoso. Que nem Suflair, sabe Suflair?"
Ele abriu um outro sorriso doce, os olhos azuis que brilhavam. Ela parecia tão charmosa tentando encontrar as palavras naquele inglês tão simples. Envergando as sobrancelhas e movendo os braços, como se isso tivesse o efeito de ampliar seu vocabulário.
"É nesse ponto que pessoas como eu, como você, fazem as grandes cagadas, porque você pega essa coisa tão frágil, tão airada que é a paixão e põe em cima disso o peso de um namoro, um noivado, uma casa juntos, filhos, hipoteca, mas é só poeira entende? É óbvio que vai acabar ruindo."
"Yeah, I understand..."
Talvez fossem as vozes das crianças correndo entre as pernas de pau do pirata ou a voz dela, algumas vezes tão rara e agora em ritmo ansioso; ele escutava, braço em torno a sua cintura com os dedos pendurados pela metade pra dentro da calça, tentando adivinhar qual seria o modelo daquela calcinha.
Ela parou de falar pra pensar um momento em português, tentar traduzir aquela frase - parecia tão poética. A caminhada durou por mais alguns minutos naquele silêncio rodeado de barulho e ela chegou até a formular a tese de que o amor não passava de muita poeira misturada com água (que de água passou a lágrimas) e prensado, como barro que vira tijolo; esse sim era o amor que poderia agüentar todo o peso de uma vida juntos.
E porque era agosto e porque eles estavam em Berlim o assunto morreu ali, com um beijo demorado em frente a barraquinha de curry wurst.
Sem pé nem cabeça
Eu tenho o céu dos Simpsons e um vento gelado. O verão ainda nem terminou e eu já espirro. Meus amigos me dão o pesar pela minha vida mesmo que eu insista que essas olheiras sejam genéticas. Meus caros, o luto não deve ser pra sempre, mas sim o aprendizado que a morte traz.
Eu tenho duas crianças: uma com os pezinhos frios, outra que fala com a boca cheia e isso me faz feliz. Eu tenho uma janela com frestas de sol quente e dores de barriga do Falafel da última noite e, a cada passo (ou a cada tropeço), sei que continuo em movimento.
Pedalando a Barbarela Schonehauser Alle acima - são quase 23 - penso nos cinco andares sem elevador. "Qual é a minha porta? Qual é a tua cama hoje?". São as coisas na minha cabeça. Essa noite teu sorriso fica por minha conta, te conto aquela do menininho na bicicleta nova.
Eu me sinto bem agora, fica tranqüila.
Camomila, limão e mel pra curar: cerveja, hambúrguer e pé no chão pra ser feliz.
Eu tenho duas crianças: uma com os pezinhos frios, outra que fala com a boca cheia e isso me faz feliz. Eu tenho uma janela com frestas de sol quente e dores de barriga do Falafel da última noite e, a cada passo (ou a cada tropeço), sei que continuo em movimento.
Pedalando a Barbarela Schonehauser Alle acima - são quase 23 - penso nos cinco andares sem elevador. "Qual é a minha porta? Qual é a tua cama hoje?". São as coisas na minha cabeça. Essa noite teu sorriso fica por minha conta, te conto aquela do menininho na bicicleta nova.
Eu me sinto bem agora, fica tranqüila.
Camomila, limão e mel pra curar: cerveja, hambúrguer e pé no chão pra ser feliz.
De Saturno
Eu queria alguma coisa de especial. Esteticamente interessante, mas com a mesma intenção daqueles anéis comuns que as minhas amigas exibiam no anelar. Uma lojinha indiana, como aquelas que eu adorava, onde os pares eram diferentes, em prata, bem largos e com alguns desenhos... indianos. Foi lindo coroar minha paixão. Eu tinha apenas 15 anos e brincava de girar aquele bambolê prateado com a ajuda do dedão. Eu era oficialmente a “namorada”.
Depois achei que estava mais mocinha - eu já tinha 16 - e um par comum me daria um ar de maturidade. Agora sim eu era comprometida com um homem (ou quase) e precisava mostrar à todo mundo a minha seriedade. Não era nem muita larga, nem muito fina, não brilhava tanto nem fazia feio. Era simples, era do shopping, não era pra sempre.
Então chegou o momento em que eu já era muito crescida pra essas bobagens de anel, compromisso, ou era assim que eu costumava discursar enquanto esperava que meu príncipe se ajoelhasse e com os olhos clamando por amor pedisse minha mão. Resisti por mais de um ano até me entregar novamente a aquelas coisinhas prateadas e circulares que, mais uma vez, foram compradas por mim.
Que dia mágico! Podia sentir meu peito pulsando, acelerado, no dia em que ele chegou com aquela caixinha azul e um bilhetinho de papel aveludado. Tive direito então até a um pequeno brilhante que eu exibia como se carregasse toda uma mineira. Era um anel tão sério que me fez crer que a brincadeira também fosse, mas depois que o jogo acabou mais um compromisso foi parar no fundo da caixinha de jóias.
E assim seria o fim: não me apaixonaria, não me iludiria mais uma vez. Antes de tudo, nunca mais acreditaria que um anel pudesse representar o meu amor. Mas, meus caros, posso eu confiar num coração tão fácil quanto o meu? Que não apenas encontra um par de olhos brilhantes cercado por longos fios de pontas douradas já faz curar todas as suas feridas e volta a ser vermelhinho? Pois fiz de novo e digo mais: no regrets.
O mais caro e também o menos convencional; diâmetro desmedido, borracha ao posto de metal e lá estava eu mais uma vez ajoelhada a jurar meu amor à aquela que sempre o mereceu. Minha imagem no espelho do banheiro orgulhava-se da mulher que refletia. Quanto ao meu pequeno príncipe...acho que ele também anda aproveitando o fato de eu me amar tanto, quem sabe mês que vem a gente não divide as despesas do meu anel contraceptivo?!
Depois achei que estava mais mocinha - eu já tinha 16 - e um par comum me daria um ar de maturidade. Agora sim eu era comprometida com um homem (ou quase) e precisava mostrar à todo mundo a minha seriedade. Não era nem muita larga, nem muito fina, não brilhava tanto nem fazia feio. Era simples, era do shopping, não era pra sempre.
Então chegou o momento em que eu já era muito crescida pra essas bobagens de anel, compromisso, ou era assim que eu costumava discursar enquanto esperava que meu príncipe se ajoelhasse e com os olhos clamando por amor pedisse minha mão. Resisti por mais de um ano até me entregar novamente a aquelas coisinhas prateadas e circulares que, mais uma vez, foram compradas por mim.
Que dia mágico! Podia sentir meu peito pulsando, acelerado, no dia em que ele chegou com aquela caixinha azul e um bilhetinho de papel aveludado. Tive direito então até a um pequeno brilhante que eu exibia como se carregasse toda uma mineira. Era um anel tão sério que me fez crer que a brincadeira também fosse, mas depois que o jogo acabou mais um compromisso foi parar no fundo da caixinha de jóias.
E assim seria o fim: não me apaixonaria, não me iludiria mais uma vez. Antes de tudo, nunca mais acreditaria que um anel pudesse representar o meu amor. Mas, meus caros, posso eu confiar num coração tão fácil quanto o meu? Que não apenas encontra um par de olhos brilhantes cercado por longos fios de pontas douradas já faz curar todas as suas feridas e volta a ser vermelhinho? Pois fiz de novo e digo mais: no regrets.
O mais caro e também o menos convencional; diâmetro desmedido, borracha ao posto de metal e lá estava eu mais uma vez ajoelhada a jurar meu amor à aquela que sempre o mereceu. Minha imagem no espelho do banheiro orgulhava-se da mulher que refletia. Quanto ao meu pequeno príncipe...acho que ele também anda aproveitando o fato de eu me amar tanto, quem sabe mês que vem a gente não divide as despesas do meu anel contraceptivo?!
O meu até logo
A minha vó reclamava quando ele queria ajudar na cozinha, "Me destrói toda a alface", ela dizia - e era verdade. A gente comia assim mesmo e achava bom. A gente achava bom ter ele por perto, sentado na ponta da mesa, cabelos brancos e bigode preto, como pode?
Quando chegava da pescaria com a caixa de metal pesada de anzóis, linhas e outras quinquilharias era uma festa só, como se tivesse passado semanas fora. Uma gritaria, crianças escorregando no tapete da entrada, saltos e beijos retrucados com um abraço de quebrar costela. Um dia alguém, por raiva momentânea, disse que o peixe era comprado pouco antes da volta pra casa, uma maldade que nada importava: aquele era o peixe do vô.
Eh vô! Tinha certos contratos com a minha avó que só os dois podiam entender, que só ela poderia aceitar. O beijo no alto da testa, a dependência exagerada; juntos até o fim por escolha e por falta de.
Ele que não era o melhor bailarino do salão, mas o folião mais animado do carnaval. Que matava as baratas no grito e me assustava a cada seu espirro. Ele que tinha os olhos cheios de poesia, esperança e um pouco de loucura. Com sorte terei herdado todas as três.
Não, não é homenagem póstuma; ao meu avô eu já disse que amava, ambos com um copo de whisky nas mãos e olhar mareado, é só qualquer nostalgia, uma saudade boa dos tempos do rabo de arraia...
Quando chegava da pescaria com a caixa de metal pesada de anzóis, linhas e outras quinquilharias era uma festa só, como se tivesse passado semanas fora. Uma gritaria, crianças escorregando no tapete da entrada, saltos e beijos retrucados com um abraço de quebrar costela. Um dia alguém, por raiva momentânea, disse que o peixe era comprado pouco antes da volta pra casa, uma maldade que nada importava: aquele era o peixe do vô.
Eh vô! Tinha certos contratos com a minha avó que só os dois podiam entender, que só ela poderia aceitar. O beijo no alto da testa, a dependência exagerada; juntos até o fim por escolha e por falta de.
Ele que não era o melhor bailarino do salão, mas o folião mais animado do carnaval. Que matava as baratas no grito e me assustava a cada seu espirro. Ele que tinha os olhos cheios de poesia, esperança e um pouco de loucura. Com sorte terei herdado todas as três.
Não, não é homenagem póstuma; ao meu avô eu já disse que amava, ambos com um copo de whisky nas mãos e olhar mareado, é só qualquer nostalgia, uma saudade boa dos tempos do rabo de arraia...
Meninas
Mi manca la sorella, tutte tre
mi manca la tipa innamorata delle donne pazze
e quella che si vuole sposare (non importa chi)
Mi manca la rossa de idee forti, ma non chiare
mi manca quella che era la più grande di tutti
e quella che mi promise di un giorno essere qui
Mi mancano gli occhi verdi di Firenze
i capelli biondi di Malmo
Mi manca la modella a Parigi
e quei bei ricci a D.C.
Mi manca la carioca, la paulistana,
mi manca la giornalista
mi manca la poetessa
e anche quella che mi ha fatto cosi
mi manca la tipa innamorata delle donne pazze
e quella che si vuole sposare (non importa chi)
Mi manca la rossa de idee forti, ma non chiare
mi manca quella che era la più grande di tutti
e quella che mi promise di un giorno essere qui
Mi mancano gli occhi verdi di Firenze
i capelli biondi di Malmo
Mi manca la modella a Parigi
e quei bei ricci a D.C.
Mi manca la carioca, la paulistana,
mi manca la giornalista
mi manca la poetessa
e anche quella che mi ha fatto cosi
(Re:) In the office
De onde eu venho, my dear, a fila é quase que uma entidade. Um espírito que reúne as pessoas (alinhadas, normalmente). Às vezes nos damos ao luxo de um banquinho, mas a razão de ser da burocracia é atazanar pobres mentes jovens e indignadas e alegrar o dia-a-dia de aposentados rabugentos.
Tem uma certa beleza na mulher que esfrega os olhos e no boy que não esconde um bocejo. Seja a fila do ar-condicionado, ou aquela do ventilador, parece que todo mundo se sente abafado.
A fila de manhã é a fila da repartição pública, é a fila do doutor que assina o atestado, e quando tem criança é porque tá doente. Na hora do almoço é a fila do banco que me fascina. Tem o som da barriga que ronca e hálito de feijão. Mulheres de salto, mulheres de mini-saia e muitos homens pra contemplá-las. Tem a fila do supermercado que é cheia de gente gorda e o trânsito que o dia todo é uma fila só.
De onde eu venho, my love, nada funciona e nada se conserta e, por isso, a gente vai pra fila: pra falar mal do governo...
Tem uma certa beleza na mulher que esfrega os olhos e no boy que não esconde um bocejo. Seja a fila do ar-condicionado, ou aquela do ventilador, parece que todo mundo se sente abafado.
A fila de manhã é a fila da repartição pública, é a fila do doutor que assina o atestado, e quando tem criança é porque tá doente. Na hora do almoço é a fila do banco que me fascina. Tem o som da barriga que ronca e hálito de feijão. Mulheres de salto, mulheres de mini-saia e muitos homens pra contemplá-las. Tem a fila do supermercado que é cheia de gente gorda e o trânsito que o dia todo é uma fila só.
De onde eu venho, my love, nada funciona e nada se conserta e, por isso, a gente vai pra fila: pra falar mal do governo...
22.6.09
I saw so many things today and I don't remember what they were about anymore. I saw Neda dying today, but I don't remember it at all.
Was she really dead? My connection it's failing, the blood from her nose and mouth drew rivers on her face, picture by picture like in a slow motion scene.
I'm not touched, I didn't know Neda before. I'm just impressed she came to die on my screen.
Was she really dead? My connection it's failing, the blood from her nose and mouth drew rivers on her face, picture by picture like in a slow motion scene.
I'm not touched, I didn't know Neda before. I'm just impressed she came to die on my screen.
Meu caro dear…
Terça, ainda essa semana, 2009 (que não vai ter fim)
Querido diário, estou tão feliz que ele voltou. Não agüentava mais de saudade. Queria que ele ficasse pra sempre grudadinho em mim.
Quinta, uma dessas, 2009 (pelo menos é verão)
Querido diário, será que um colchão de casal é pedir demais? Eu sei que antes queria ele juntinho, mas é bom esticar a perna de vez em quando.
Quinta, uns dias atrás, 2009 (ainda?)
Querido diário, morar junto às vezes é uma merda, porque se eu quero ficar sozinha, não há canto em 40 metros quadrados que me permita.
Segunda, há umas duas semanas, 2009 (mas sem comentários)
Querido diário, hoje eu queria muito, muito mesmo começar uma briga, mas estava sem motivo. Será que posso reclamar da louça que ficou desde sexta sem lavar?!
Domingo, semana passada, 2009 (que comemora 20 anos da queda do muro)
Querido diário, estou morrendo de tédio e já fiz sexo duas vezes. Se a chuva parar prometo que vou dar um passeio de bike, mas preferiria pedir chinês pelo telefone.
Hoje, hoje mesmo, 2009 (mas sem porquês de reclamar)
Querido diário, acho que eu prefiro mesmo quando ele está por perto.
Querido diário, estou tão feliz que ele voltou. Não agüentava mais de saudade. Queria que ele ficasse pra sempre grudadinho em mim.
Quinta, uma dessas, 2009 (pelo menos é verão)
Querido diário, será que um colchão de casal é pedir demais? Eu sei que antes queria ele juntinho, mas é bom esticar a perna de vez em quando.
Quinta, uns dias atrás, 2009 (ainda?)
Querido diário, morar junto às vezes é uma merda, porque se eu quero ficar sozinha, não há canto em 40 metros quadrados que me permita.
Segunda, há umas duas semanas, 2009 (mas sem comentários)
Querido diário, hoje eu queria muito, muito mesmo começar uma briga, mas estava sem motivo. Será que posso reclamar da louça que ficou desde sexta sem lavar?!
Domingo, semana passada, 2009 (que comemora 20 anos da queda do muro)
Querido diário, estou morrendo de tédio e já fiz sexo duas vezes. Se a chuva parar prometo que vou dar um passeio de bike, mas preferiria pedir chinês pelo telefone.
Hoje, hoje mesmo, 2009 (mas sem porquês de reclamar)
Querido diário, acho que eu prefiro mesmo quando ele está por perto.
History of the World for Kids, Vol. 1
Once upon a time, there was an apple that used to live in a beautiful tree, inside a beautiful garden. In the same tree lived a snake, which liked to play poker professionally.
One day the apple and the snake were playing some poker (no body ever had win from the snake). (Not even the pig of the garden) And that day, by far, the apple won the game. No body in the garden could believe that. That same night the worm, little cousin of the snake, came to visit him.
Little cousin worm told what the apple did to hide the winning cards. On the hole where he used to live. The snake was indignated and went to his vendetta plan.
Talking with the hippy teenager, Eve, who was camping inside the garden, the snake promised that inside the apple there was candy (something delicious). But Eve, afraid of the gardener and his plow, asked to Adam, her boyfriend to steal some apples from the tree.
The next morning, seeing the whole garden full of apple cores, the gardener, an old man with a long beard and ugly old robe, expelled the teenagers, who ran away forgetting everything including putting their clothes on.
Since when, the world’s like it is.
The End
Once upon a time, there was an apple that used to live in a beautiful tree, inside a beautiful garden. In the same tree lived a snake, which liked to play poker professionally.
One day the apple and the snake were playing some poker (no body ever had win from the snake). (Not even the pig of the garden) And that day, by far, the apple won the game. No body in the garden could believe that. That same night the worm, little cousin of the snake, came to visit him.
Little cousin worm told what the apple did to hide the winning cards. On the hole where he used to live. The snake was indignated and went to his vendetta plan.
Talking with the hippy teenager, Eve, who was camping inside the garden, the snake promised that inside the apple there was candy (something delicious). But Eve, afraid of the gardener and his plow, asked to Adam, her boyfriend to steal some apples from the tree.
The next morning, seeing the whole garden full of apple cores, the gardener, an old man with a long beard and ugly old robe, expelled the teenagers, who ran away forgetting everything including putting their clothes on.
Since when, the world’s like it is.
The End
The fisherman stories
Once upon a time, when a fish called Big Fish got lost on a distant sea, hungry and afraid he went to ask for help to find the way back home and maybe also something to eat.
The sea was full of all kinds of fishes. Colorful ones, tiny ones, medium ones, with dots, with stripes. But none of them looked like the huge lost fish. After hours of searching, there came to him a scary white shark. Big Fish couldn't hide his fear when the shark opened his mouth, with so many teeth, but instead of a bite, Mr. Shark started to speak:
- You look so hungry and so lost, maybe I have something for you, why don't you come with me? I know somebody who could give you some worms. What about some dinner?!
Big Fish followed the shark to a pier, and there was a fisherman and his bucket full of worms and other bait.
Mr. Fisherman presented himself and offered some delicious food to Big Fish. They talked during the whole dinner, about the sea, about the ocean, about rivers and about lakes. Such a nice person, this Mr. Fisherman. After feeling satisfied, Big Fish was about to leave when Mr. Shark made an offer:
- Big Fish, I know you're trying to find the way back home, but wouldn't it be nice if you could stay and have a new life over here?
Big Fish thought for a moment, this was really a beautiful place with interesting fishes, but still not so much to eat. Mr. Shark kept going:
- Think about that, I have a really nice offer to you. I've been working for Mr. Fisherman and he pays me back with these delicious worms, you could help me by just bringing him some of the fishes in this sea.
"Easy," thought Big Fish, he could bring many fishes a day in his huge mouth, and then Mr. Fisherman would give him food. It sounded perfect.
Next morning Mr. Shark and Big Fish went for the first try. Mr. Shark was so proud of Big Fish. He could fill his mouth with so many fishes that all the work could be done in about two hours. At the end of the day Mr. Fisherman was surprised to see all the fishes laying on his boat. The partners kept working every day, and every night. The more fishes Big Fish would bring, the more worms he would get back and the more Mr. Shark would push him to his work.
After some months the sea didn't seem so colorful, there weren't many fishes like before and Mr. Shark wasn't that satisfied with the situation. Even working for hours, Big Fish couldn't bring half of what Mr. Fisherman asked and he was hungry again.
- Less fish means less worms, Big Fish. Are you happy with that? Is that what you want for us? You are making Mr. Fisherman upset and you are going to end up eating sand from the beach.
That was a really hard night for Big Fish, he could not sleep or think about anything else. Troubled he decided to go for a talk with Mr. Octopus, an old big-headed octopus admired for his knowledgeable words.
- Big Fish, - said Mr. Octopus - did you ever look to yourself? Did you ever asked yourself why you need to go once in a while to the surface and BREATH? You don't belong to this sea, Big Fish, you belong to the ocean. You are a white whale!
Shocked and confused, Big Fish needed the help of his only friends. He crossed the sea (quiet and dead) until the pier where his fellas should be. But as soon as he saw Mr. Shark and the fisherman he paralyzed. Now the whale could see both devouring all the fishes he had caught that day, laughing and celebrating.
I cannot tell you what happened then, but the next morning no one saw Mr. Shark working and Mr. Fisherman wasn't sitting at the pier, now completely destroyed. That same day Big Fish left back to search his way, 'cos no Whale can live in a dead sea.
THE END
The sea was full of all kinds of fishes. Colorful ones, tiny ones, medium ones, with dots, with stripes. But none of them looked like the huge lost fish. After hours of searching, there came to him a scary white shark. Big Fish couldn't hide his fear when the shark opened his mouth, with so many teeth, but instead of a bite, Mr. Shark started to speak:
- You look so hungry and so lost, maybe I have something for you, why don't you come with me? I know somebody who could give you some worms. What about some dinner?!
Big Fish followed the shark to a pier, and there was a fisherman and his bucket full of worms and other bait.
Mr. Fisherman presented himself and offered some delicious food to Big Fish. They talked during the whole dinner, about the sea, about the ocean, about rivers and about lakes. Such a nice person, this Mr. Fisherman. After feeling satisfied, Big Fish was about to leave when Mr. Shark made an offer:
- Big Fish, I know you're trying to find the way back home, but wouldn't it be nice if you could stay and have a new life over here?
Big Fish thought for a moment, this was really a beautiful place with interesting fishes, but still not so much to eat. Mr. Shark kept going:
- Think about that, I have a really nice offer to you. I've been working for Mr. Fisherman and he pays me back with these delicious worms, you could help me by just bringing him some of the fishes in this sea.
"Easy," thought Big Fish, he could bring many fishes a day in his huge mouth, and then Mr. Fisherman would give him food. It sounded perfect.
Next morning Mr. Shark and Big Fish went for the first try. Mr. Shark was so proud of Big Fish. He could fill his mouth with so many fishes that all the work could be done in about two hours. At the end of the day Mr. Fisherman was surprised to see all the fishes laying on his boat. The partners kept working every day, and every night. The more fishes Big Fish would bring, the more worms he would get back and the more Mr. Shark would push him to his work.
After some months the sea didn't seem so colorful, there weren't many fishes like before and Mr. Shark wasn't that satisfied with the situation. Even working for hours, Big Fish couldn't bring half of what Mr. Fisherman asked and he was hungry again.
- Less fish means less worms, Big Fish. Are you happy with that? Is that what you want for us? You are making Mr. Fisherman upset and you are going to end up eating sand from the beach.
That was a really hard night for Big Fish, he could not sleep or think about anything else. Troubled he decided to go for a talk with Mr. Octopus, an old big-headed octopus admired for his knowledgeable words.
- Big Fish, - said Mr. Octopus - did you ever look to yourself? Did you ever asked yourself why you need to go once in a while to the surface and BREATH? You don't belong to this sea, Big Fish, you belong to the ocean. You are a white whale!
Shocked and confused, Big Fish needed the help of his only friends. He crossed the sea (quiet and dead) until the pier where his fellas should be. But as soon as he saw Mr. Shark and the fisherman he paralyzed. Now the whale could see both devouring all the fishes he had caught that day, laughing and celebrating.
I cannot tell you what happened then, but the next morning no one saw Mr. Shark working and Mr. Fisherman wasn't sitting at the pier, now completely destroyed. That same day Big Fish left back to search his way, 'cos no Whale can live in a dead sea.
THE END
Pennies make pounds
Já dizia a minha mãe, "O barato sai caro, minha filha". E essa é uma das mais verdadeiras das frases populares. Mas a sabedoria popular também ensina que a gente recebe aquilo que dá.
Se penso em todo o dinheiro que já gastei por lapso de raciocínio. Parece que a pressa é mesmo inimiga da perfeição. Se eu tivesse calculado que a loja de móveis fica ao lado da de materiais de construção, teria comprado dois tickets de ônibus a $4,20 em vez de um diário por $6,10. Eu teria vendido as prateleiras mais caro, se soubesse que tanta gente queria comprar aquele específico modelo. Se eu soubesse que jamais estudaria na Itália, não teria mandado traduzir todos aqueles documentos que custaram uma fortuna, eu não teria ido até o aeroporto com o bilhete na mão pra escutar que precisava de um visto, eu não teria comprado aqueles vinis raros se soubesse que o toca disco não funcionava mais, que os saldões começavam segunda-feira, que amanhã é dia de feira no supermercado e eu aqui com essa alface de $2,49 que eu nem queria comer.
Mas a verdade é que planejamento não combina com espontaneidade e ai é preciso fazer certas escolhas. Como quando meu pai pulou no mar e perdeu o super-hiper-master óculos que ele tinha acabado de comprar (mas não de pagar). Dizem que Iemanjá agradece até hoje.
Como quando resolvi ir pra Veneza e saquei os últimos $6o paus da minha conta ficando literalmente na rua por falta de hotéis disponíveis (leia-se acessíveis) na cidade. Como quando eu me ofereci pra cobrir a feira de Milão e acabei comprando uma passagem na mesma semana pra visitar uma amiga em Portugal...
Acontece que meu pai pulou no mar pra impedir que uma onda derrubasse minha mãe que segurava meu sobrinho, ainda bebe. Acontece que aquela noite eu me apaixonei as margens do mar Adriático pelo homem com quem decidi me casar. E acontece que não é o dinheiro que mede o valor daquilo que fazemos. E ponto.
Enquanto eu precisar gastar todas as minhas moedas pra ter o direito de ser caótica e imprevisível, o farei. Um dia eu paro com isso e compro um cofrinho, mas até lá quero aproveitar enquanto meus centavos fazem minha felicidade e não mais dinheiro.
Ah! Vocês querem saber o que valia mais entre a feira de Milão e a viagem a Portugal? Bom, isso nos vamos decidir no dia do embarque...
Se penso em todo o dinheiro que já gastei por lapso de raciocínio. Parece que a pressa é mesmo inimiga da perfeição. Se eu tivesse calculado que a loja de móveis fica ao lado da de materiais de construção, teria comprado dois tickets de ônibus a $4,20 em vez de um diário por $6,10. Eu teria vendido as prateleiras mais caro, se soubesse que tanta gente queria comprar aquele específico modelo. Se eu soubesse que jamais estudaria na Itália, não teria mandado traduzir todos aqueles documentos que custaram uma fortuna, eu não teria ido até o aeroporto com o bilhete na mão pra escutar que precisava de um visto, eu não teria comprado aqueles vinis raros se soubesse que o toca disco não funcionava mais, que os saldões começavam segunda-feira, que amanhã é dia de feira no supermercado e eu aqui com essa alface de $2,49 que eu nem queria comer.
Mas a verdade é que planejamento não combina com espontaneidade e ai é preciso fazer certas escolhas. Como quando meu pai pulou no mar e perdeu o super-hiper-master óculos que ele tinha acabado de comprar (mas não de pagar). Dizem que Iemanjá agradece até hoje.
Como quando resolvi ir pra Veneza e saquei os últimos $6o paus da minha conta ficando literalmente na rua por falta de hotéis disponíveis (leia-se acessíveis) na cidade. Como quando eu me ofereci pra cobrir a feira de Milão e acabei comprando uma passagem na mesma semana pra visitar uma amiga em Portugal...
Acontece que meu pai pulou no mar pra impedir que uma onda derrubasse minha mãe que segurava meu sobrinho, ainda bebe. Acontece que aquela noite eu me apaixonei as margens do mar Adriático pelo homem com quem decidi me casar. E acontece que não é o dinheiro que mede o valor daquilo que fazemos. E ponto.
Enquanto eu precisar gastar todas as minhas moedas pra ter o direito de ser caótica e imprevisível, o farei. Um dia eu paro com isso e compro um cofrinho, mas até lá quero aproveitar enquanto meus centavos fazem minha felicidade e não mais dinheiro.
Ah! Vocês querem saber o que valia mais entre a feira de Milão e a viagem a Portugal? Bom, isso nos vamos decidir no dia do embarque...
Se fosse bom a gente vendia, não dava
Sabe quando alguém vem te dizer que você devia ter feito uma coisa que seria muito melhor quando você já fez outra? Não é irritante quando isso acontece?!
É como quando depois do jantar naquele restaurante famosérrimo (mas que você é o único que nunca foi) a sua mousse de sobremesa chega e alguém comenta, "Ai, sério que você pediu a mousse?! A torta de morangos daqui é considerada a melhor do país!"
FODA-SE! Você pensa, porque agora você não pode mais pedir a torta e a mousse perdeu completamente a graça.
Ou aquelas pessoas que tem prazer em assistir jogo de xadrez (mais chato que jogar xadrez só assistindo mesmo): "Nossa!! Agora você entregou o jogo mesmo, ele vai te dar um xeque colocando o bispo ali e a torre aqui, ó!"
SEU PUTO! Porque além de me atazanar com um conselho atrasado ainda está dando um excelente pro meu adversário!
Gente, não dava pra dizer antes? Tá certo, eu não perguntei, então não dava pra ficar quieto?
Meu noivo está saindo de Berlim de volta para a Califórnia, pra iniciar o processo do visto pra que eu também possa vir etc etc etc. Procuramos informações em diversas línguas, consulados, fóruns na internet, enfim, aquilo que foi possível conseguir. Comprado o bilhete de avião não é que surgem mil pessoas perguntando "Mas porque vocês não fazem isso através do consulado de Frankfurt: É tão mais fácil, sai em três meses, muito mais barato! Que bobagem gastar esse dinheirão, esperar 8 meses...!"
Dá uma vontade de responder "Sabe o que é, tem dinheiro brotando do cú e por isso a gente decidiu ir gastando bastante, pra evitar uma hemorróida!"
Então deixa eu te dar um conselho: não me dê mais nenhum conselho!
É como quando depois do jantar naquele restaurante famosérrimo (mas que você é o único que nunca foi) a sua mousse de sobremesa chega e alguém comenta, "Ai, sério que você pediu a mousse?! A torta de morangos daqui é considerada a melhor do país!"
FODA-SE! Você pensa, porque agora você não pode mais pedir a torta e a mousse perdeu completamente a graça.
Ou aquelas pessoas que tem prazer em assistir jogo de xadrez (mais chato que jogar xadrez só assistindo mesmo): "Nossa!! Agora você entregou o jogo mesmo, ele vai te dar um xeque colocando o bispo ali e a torre aqui, ó!"
SEU PUTO! Porque além de me atazanar com um conselho atrasado ainda está dando um excelente pro meu adversário!
Gente, não dava pra dizer antes? Tá certo, eu não perguntei, então não dava pra ficar quieto?
Meu noivo está saindo de Berlim de volta para a Califórnia, pra iniciar o processo do visto pra que eu também possa vir etc etc etc. Procuramos informações em diversas línguas, consulados, fóruns na internet, enfim, aquilo que foi possível conseguir. Comprado o bilhete de avião não é que surgem mil pessoas perguntando "Mas porque vocês não fazem isso através do consulado de Frankfurt: É tão mais fácil, sai em três meses, muito mais barato! Que bobagem gastar esse dinheirão, esperar 8 meses...!"
Dá uma vontade de responder "Sabe o que é, tem dinheiro brotando do cú e por isso a gente decidiu ir gastando bastante, pra evitar uma hemorróida!"
Então deixa eu te dar um conselho: não me dê mais nenhum conselho!
Memory Stick
I keep forgetting things, I mean, not really import ones, but they just vanish of my mind. Like yesterday when I went to buy myself a new chip for my phone, so I left the shop and forgot to take the chip. Later I realized that 'cos I wanna call you but of course my phone was not working. Then I went to see my friends gig and I totally forgot to bring the phone with me, what was kind of ok 'cos I had already talked to you, but no one else could, but I guess before I buy it nobody could anyway.
And I woke up early today to go to the police station to get my passport done, but then I saw I forgot to take the pictures and also to full fill the form and print it, I mean, I forgot everything I had to do about that, and actually you already know about it cos we were on the phone while I was cursing myself for being so stupid.
Since I couldn't solve that today anymore I decided to buy a new HD for my computer and then I remembered how pissed you were with that guy who sold it to me and the morning you left ready to kick his French ass but then we couldn't find him and we decided maybe it wasn't his fault. So I passed the computer shop and forgot I was going there and kept walking to downtown and turning right and then left on every corner, then I found a post office and stop to send my sister a letter it was in my purse since so long and when they finally called my number I saw my letter had no envelop and they don't sell envelops at the post office. I left to buy one at the paper shop and there they were playing a song I really like but never paid attention to the lyrics and it was saying something I wish I had written to you. When I came back to mail the letter I couldn't remember my sister's address so I didn't send her anything and decided to come back home. Luckily I saw the computer shop and went in. I bought the HD but forgot to buy a cable for Davide. Then I forgot there my gloves, and then I turned right on the wrong street and kind of forgot where I’m actually living!
I don't wanna panic, I know it's just a fase and soon I'm gonna be fine, but right now I have to leave again cos I totally forgot to go grocery shopping and I have no coffee and no real food.
And I woke up early today to go to the police station to get my passport done, but then I saw I forgot to take the pictures and also to full fill the form and print it, I mean, I forgot everything I had to do about that, and actually you already know about it cos we were on the phone while I was cursing myself for being so stupid.
Since I couldn't solve that today anymore I decided to buy a new HD for my computer and then I remembered how pissed you were with that guy who sold it to me and the morning you left ready to kick his French ass but then we couldn't find him and we decided maybe it wasn't his fault. So I passed the computer shop and forgot I was going there and kept walking to downtown and turning right and then left on every corner, then I found a post office and stop to send my sister a letter it was in my purse since so long and when they finally called my number I saw my letter had no envelop and they don't sell envelops at the post office. I left to buy one at the paper shop and there they were playing a song I really like but never paid attention to the lyrics and it was saying something I wish I had written to you. When I came back to mail the letter I couldn't remember my sister's address so I didn't send her anything and decided to come back home. Luckily I saw the computer shop and went in. I bought the HD but forgot to buy a cable for Davide. Then I forgot there my gloves, and then I turned right on the wrong street and kind of forgot where I’m actually living!
I don't wanna panic, I know it's just a fase and soon I'm gonna be fine, but right now I have to leave again cos I totally forgot to go grocery shopping and I have no coffee and no real food.
Não escolhi o título porque não sei
Crianças fazem muitas perguntas aos pais. E' então que chega a adolescência e eles perdem contato por alguns anos. Mais tarde é a vez dos pais encherem suas (não mais) crianças de dúvidas. “De onde vem os bebes?” perde lugar para “O que você fará quando tiver um bebe?”. “Por que precisamos de dinheiro?” é substituída com “Como fará pra ganhar seu próprio dinheiro?”, e por ai vai.
As dúvidas dos pais também são difíceis de responder. Apesar de parecerem óbvias, sentimos como se não houvessem palavras para explicar-lhes o que talvez já tenham muita idade para entender. E assim como, a cada dúvida mal esclarecida perdíamos um pouco mais da ilusão de que eram pais heróis, eles também vão perdendo suas esperanças de que possamos nos tornar os adultos que queriam. E foi pensando nas perguntas dos meus caros que comecei a encontrar as minhas respostas, aquelas que há anos venho procurando e que me trouxeram até a Europa.
Quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse costumava a dizer que queria vencer 14 Oscars. Não ficava muito claro se atuando, dirigindo ou escrevendo para o cinema. Naquela idade eu não sabia que o prêmio Oscar era uma bobagem e que pra chegar a merecer qualquer prêmio de cinema eu precisaria de alguma paixão na área proposta. Naquela idade a minha única paixão era ser o centro das atenções mesmo.
Durante o período das trevas da minha vida - e por isso entenda-se adolescência - deixei de falar sobre o assunto; escolhi qualquer curso mais fácil e não me dei ao trabalho nem de concluí-lo.
Hoje, passados mais de quinze anos desde os meus sonhos hollywoodianos, eles voltam a me perguntar, “O que você vai ser agora que você já cresceu?”
-Não sei!, respondo.
Um certo silêncio toma a sala, se espalha para a cozinha, sobe a escada para os quartos e chega a arrepiar o cachorro.
“Não sei” é a resposta mais honesta, mais precisa e mais libertadora que jamais havia dado, mas não foi fácil chegar até lá. A verdade é que depois de anos de procura eram essas as palavras que me faziam feliz. Não jornalista, não doutora, não rica, não formada e sim “não sei”. Talvez porque agora eu saiba.
Não posso esperar uma aceitação geral e irrestrita à minha resposta. Sempre surgirá um “Mas, filha”, ou um “Claro, você ainda tem tempo para descobrir”. O importante é que eu continue (não) sabendo o que os outros já tem muita idade pra entender.