Enquanto o mundo assistia aos noticiários, chocados pela a força da natureza e mortificados pelas perdas sofridas no Japão, eu comecei a pensar no que poderia ter sido previsto dessa tragédia. Quase nada, foi minha conclusão. Os terremotos tem chacoalhado aquela parte do planeta desde sempre e a palavra Tsunami teve origem alí, querendo dizer: onda contra o porto. Por sorte, naquele país, o conhecimento de causa e a tecnologia avançada fizeram com que as perdas fossem menores do que poderiam ter sido. É só pensar no caso do Haiti em janeiro passado ou na Indonésia, em 2004.
Mas a minha cabeça não ficou por muito tempo na Ásia. Assim que me conectei à internet pra checar as últimas notícias me deparei com outra calamidade que chamou minha atenção. Alguma coisa esta acontecendo na sétima maior economia mundial. Todos os anos o país onde nasci, soma os prejuízos e os seus mortos após cada chuva de verão. Esse ano podia ter sido diferente, mas não foi.
De novembro à março, milhares de pessoas do norte ao sul do pais perderam suas vidas e outras centenas de milhares suas casas. São Paulo, a décima cidade global em riqueza é submersa (literalmente) todos os dias e a periferia ou melhor, as favelas, são lavadas do caminho mais uma vez deixando pra trás lama, desespero e ainda mais pobreza. Mais uma vez, esse verão podia ter sido diferente, mas não foi.
A minha vida inteira ouvi uma piada que eu costumava achar engraçada, ela conta a história da criação do mundo enquanto que, numa conversa com deus, dois anjos clamam por justiça. Como poderia o criador abençoar um lugar dando-lhe tanta beleza, clima ameno, todo o tipo de recursos naturais sem ao menos castigá-los com qualquer furacão, vulcão ou terremoto. Assim, que deus responde: “mas vocês verão os FDP eu vou colocar pra viver ali”.
Em dias como hoje ela já não me faz rir, porque um terremoto de escala 9 seguido de tsunami matou no Japão tanto quanto as habituais chuvas de verão no Brasil, isso nos últimos três meses. Não tem graça porque, assim como piada velha, a mesma cena infinitamente repetida perde seu significado. Não me diverte (espanta) mais porque dessa vez, como todas as outras vezes, poderia ter sido diferente, mas não foi.
Em lados opostos do mundo, Japão e Brasil são o reflexo no espelho um do outro. Enquanto de um lado se está preparado para o pior, do outro ainda luta-se penosamente para sobreviver às catástrofes diárias. É hora de mudar a postura, ou o próximo tsunami baterá à porta muito em breve. E eu só posso manter-me esperançosa por mudanças, como no Brasil nós sempre fazemos.
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